Especialista em Direito Tributário explica vantagens e desvantagens de comprar o iPhone Duo nos Estados Unidos; entenda as regras, taxas e como importar com segurança

iPhone Duo é o primeiro celular dobrável da Apple — Foto: Divulgação/Apple

O iPhone Duo custa US$ 1.999 nos Estados Unidos. Correspondente a cerca de R$ 10.153 em conversão direta, o valor pode aumentar com a incidência de impostos e taxas para quem pretende trazer o celular ao Brasil, onde o dobrável custa a partir de R$ 21.999. A opção surge principalmente para os consumidores que já têm dólares guardados ou estão de viagem para os Estados Unidos, mas deve ser analisada com cautela para evitar prejuízos. Antes de decidir se vale a pena importar o dobrável da Apple, é importante considerar o IOF, o imposto sobre vendas americano e as possíveis cobranças da alfândega brasileira.

De acordo com o advogado tributarista Rafael Borin, sócio do escritório Rafael Pandolfo Advogados Associados, existe uma diferença importante na tributação entre o eletrônico que entra no Brasil trazido na bagagem de um viajante e uma compra internacional feita pela internet. Neste guia completo, confira as vantagens e desvantagens de importar um iPhone e tudo o que você precisa saber para fazer a importação com segurança, incluindo os custos.

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Quanto custa o iPhone Duo nos EUA? Veja se vale a pena importar o celular dobrável da Apple

No índice abaixo, veja aspectos que você deve observar ao considerar importar o iPhone Duo dos Estados Unidos.

- IOF brasileiro

- Imposto nos Estados Unidos

- Regras para taxação de eletrônicos no Brasil

- Cuidados ao comprar o iPhone Duo no exterior

- Afinal, vale a pena importar o iPhone Duo?

IOF brasileiro

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incide sobre operações como crédito e câmbio e deve entrar na conta de quem pretende comprar o iPhone Duo ou qualquer outro celular no exterior. Desde julho de 2025, a alíquota para compras internacionais com cartões de crédito e débito é de 3,5%.
O mesmo percentual se aplica às operações com contas internacionais, como Wise, Nomad, Inter Global e C6 Global, que anteriormente podiam oferecer uma tributação menor. A cobrança é feita automaticamente e aparece na fatura do cartão ou no extrato da conta.
Imposto nos Estados Unidos
Outro fator que interfere no preço final do iPhone Duo é o sales tax, imposto sobre vendas adotado nos Estados Unidos. Como cada estado e localidade pode estabelecer suas próprias alíquotas, o valor cobrado varia conforme o endereço da compra.
Em lugares como Nova York e Califórnia, a taxa pode ultrapassar 8%. Já Oregon, Delaware, New Hampshire e Montana não cobram esse imposto estadual sobre vendas. Por isso, o mesmo celular pode custar valores diferentes dependendo de onde for comprado.
Loja da Apple nos Estados Unidos — Foto: Chris Nagahama/Unplash
Há ainda estados como Texas e Louisiana, que oferecem programas de reembolso de impostos para determinados consumidores e compras. Nesses casos, é importante verificar as condições exigidas antes de contar com a devolução do valor pago.
Regras para taxação de eletrônicos no Brasil
Ao trazer um iPhone do exterior, o consumidor precisa observar as regras da Receita Federal. A tributação depende principalmente de como o produto entra no país: como bagagem de um viajante ou por meio de uma compra internacional enviada ao Brasil. Segundo o advogado especialista em Direito Tributário Rafael Borin, quatro pontos merecem atenção:
- Imposto sobre Importação (II);
- Natureza da compra;
- Remessa Conforme;
- e Imposto sobre Consumo (ICMS).
Compras feitas durante uma viagem internacional
Quem chega ao Brasil de avião ou navio tem uma cota de isenção de US$ 1.000 para bens adquiridos no exterior. Para entradas por via terrestre ou fluvial, o limite é de US$ 500. Se o valor das compras ultrapassar a cota, o Imposto de Importação é de 50% sobre o excedente.
“Se um viajante chega de avião com US$ 1.500 em bens eletrônicos importados, o imposto não incide sobre os US$ 1.500, mas sobre os US$ 500 que excederem a cota”, explica Borin.
Quem chega ao Brasil de avião ou navio tem uma cota de isenção de US$ 1.000 para bens adquiridos no exterior — Foto: Reprodução/Redes Sociais
O advogado ressalta, porém, que o cálculo também depende da classificação do aparelho. Um celular que se enquadre nas regras de bem de caráter manifestamente pessoal pode receber tratamento diferente daquele aplicado aos produtos incluídos na cota de bagagem. No caso do iPhone Duo de 256 GB, por exemplo, o imposto incidiria sobre os US$ 999 restantes. Assim, o consumidor pagaria US$ 499,5 de imposto.
Compras internacionais pela internet
Para produtos comprados online e enviados ao Brasil, Borin explica que as regras são diferentes. Nas empresas participantes do Programa Remessa Conforme, compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas são isentas do Imposto de Importação, mas continuam sujeitas ao ICMS.
Acima desse valor, até o limite de US$ 3.000, a alíquota do Imposto de Importação é de 60%, com uma dedução de US$ 20 no imposto devido, conforme as regras aplicáveis ao programa. Fora do Remessa Conforme, a regra geral prevê Imposto de Importação de 60%, sem esse benefício, além do ICMS.
Produtos comprados online e enviados ao Brasil têm regras diferentes de tributação — Foto: Unsplash
O ICMS é um tributo estadual cujas alíquotas variam conforme a unidade da Federação. O cálculo considera o próprio imposto e o Imposto de Importação, em um sistema conhecido como cobrança “por dentro”, segundo o advogado. Por isso, não basta somar as duas alíquotas para estimar o peso total da tributação.
Quando o celular pode ser considerado bem de uso pessoal?
A Receita Federal prevê tratamento específico para bens de caráter manifestamente pessoal, conforme a Instrução Normativa RFB nº 1.059/2010. Entretanto, o enquadramento depende das circunstâncias da viagem e das características do produto.
De acordo com Borin, trazer o iPhone Duo em uso pode favorecer esse reconhecimento, mas não garante automaticamente a isenção. Um aparelho novo, lacrado ou comprado para substituir outro telefone que o viajante já levou do Brasil pode exigir uma análise diferente. A comprovação de defeito no aparelho original, por exemplo, pode ser relevante para a avaliação do caso.
Se o iPhone não for considerado bem de uso pessoal, ele poderá entrar na cota de bagagem. Quando houver imposto devido, o advogado recomenda preencher a Declaração Eletrônica de Bens do Viajante (e-DBV) e recolher o valor correspondente. A falta de declaração de um bem tributável pode resultar em multa de 50% sobre o excedente da cota, além do imposto devido.
Cuidados ao comprar iPhone Duo no exterior
Para descobrir quanto o iPhone Duo realmente custa nos Estados Unidos, é preciso considerar mais do que o preço em dólar. O cálculo deve incluir a conversão cambial, o sales tax do local da compra, o IOF de 3,5% aplicável à operação e eventuais tributos cobrados na entrada do produto no Brasil.
Também é importante verificar se o aparelho pode ser enquadrado como bem de uso pessoal. Caso contrário, o valor excedente à cota de isenção poderá ser tributado, conforme as regras da Receita Federal.
Para descobrir quanto o iPhone Duo realmente custa nos Estados Unidos, é preciso considerar mais do que o preço em dólar — Foto: Reprodução/Apple
O advogado Rafael Borin alerta ainda para os riscos de levar vários celulares sem observar as exigências fiscais. Mesmo quando a intenção é presentear familiares ou amigos, a quantidade e as características dos produtos podem levar a fiscalização a suspeitar de finalidade comercial, com risco de apreensão.
Afinal, vale a pena importar o iPhone Duo dos Estados Unidos?
De acordo com o advogado Rafael Borin, no geral, vale a pena importar o iPhone Duo se ele estiver dentro dos critérios para "bem de uso pessoal".
"A compra pode ser vantajosa para quem já possui uma viagem internacional programada e pretende utilizar o aparelho como seu telefone pessoal durante a viagem, desde que estejam presentes as condições para enquadrá-lo como bem de caráter manifestamente pessoal", opina Borin.
Fora esse caso, o tributarista recomenda comprar o preço do aparelho no exterior com o custo efetivo da compra. "Nessa conta devem ser considerados fatores como a cotação do dólar, o IOF eventualmente incidente conforme a forma de pagamento e a possível tributação na entrada do bem no Brasil", relembra.
Para modelos mais caros, que excedam a isenção de US$ 1.000, o especialista ressalta que a decisão deve considerar o custo final da operação, e não apenas o preço anunciado no exterior. "É essa comparação que permite avaliar se trazer o iPhone de fora realmente vale a pena", conclui.
Com informações de Planalto (1), Governo Federal (1), Wise (1 e 2)
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