Cândido Teobaldo de Souza Andrade, (São Paulo, 01 de julho de 1919 - 7 de agosto de 2003), foi professor e um dos pioneiros na área de Relações Públicas no Brasil. Criou o curso de Relações Públicas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA USP). Foi o primeiro brasileiro a conquistar o título de doutor na área e, em 1999, se tornou Professor Emérito da mesma instituição.
Formação Concluiu o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, e pós-graduação em Ciências Sociais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Antes de dedicar-se às Relações Públicas, Cândido estudou Educação Física, em 1940, e Direito, ambas as carreiras também cursadas na Universidade de São Paulo, mas a sua dedicação às Relações Públicas fez parte da sua trajetória profissional e pessoal. Até o ano de 1975, Cândido era o único a ter concluído o curso de Doutorado em Relações Públicas no Brasil. E também foi o primeiro a receber o título de livre-docente em Relações Governamentais, em dezembro de 1978, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Carreira Criou o curso de graduação em Relações Públicas na Escola de Comunicações e Artes da USP. Entre as décadas de 1910 e 1940, as Relações Públicas no Brasil eram praticadas de forma restrita, concentradas principalmente em algumas empresas internacionais e em setores de informação pública em órgãos governamentais. A partir da década de 1940, começaram a ser oferecidos cursos na Fundação Getúlio Vargas, no Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT) e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), voltados aos profissionais que já atuavam na área em empresas públicas e privadas. Desses cursos surgiu um grupo de profissionais que, sob a liderança de Cândido, fundou a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) em 1954. A entidade teve papel fundamental no desenvolvimento da área no país, promovendo a formação profissional com especialistas como Harwood L. Childs, Eric Carlson e Neville Sheperd, para capacitar profissionais, uma vez que ainda não existiam cursos universitários de Relações Públicas no Brasil. A partir de 1954, Cândido passou a atuar ativamente na área, integrando a ABRP/SP, onde ocupou os cargos de secretário, vice-presidente e presidente. E a partir de 1956, iniciou sua trajetória em Relações Públicas, dedicando-se ao estudo de obras americanas da área e à criação dos primeiros cursos de nível médio no Brasil. Teve papel importante na articulação da profissão, destacando-se na criação da Federación Interamericana de Asociaciones de Relaciones Públicas (FIARP), que posteriormente se tornou a Confederación Interamericana de Asociaciones de Relaciones Públicas (CONFIARP). Sua atuação foi fundamental para o fortalecimento das Relações Públicas, especialmente por meio do desenvolvimento acadêmico e da expansão de cursos superiores, contribuindo para a inserção da área nas organizações. Ao comparar o desenvolvimento das Relações Públicas nos Estados Unidos e no Brasil, surgiu a reflexão proposta por Kunsch (2006) sobre a possibilidade de considerar o professor Cândido como pioneiro da área no país, devido às semelhanças com a atuação de Edward Bernays, pioneiro na pesquisa de Relações Públicas nos EUA. Um marco importante dessa trajetória foi a criação da Lei no 5.377, de 11 de dezembro de 1967, regulamentada em 1968, que disciplinou a profissão e tornou o Brasil o primeiro país do mundo a adotar legislação específica para as Relações Públicas, ainda no período militar. Nesse contexto, Teobaldo teve papel de destaque como um dos autores da lei que proporcionou a criação da profissão e do curso superior de Relações Públicas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), com duração de quatro anos.
Carreira literária Cândido, além de ser o pioneiro das Relações Públicas no Brasil, foi o primeiro a produzir literatura especializada sobre a área no país. A partir dos anos 1960, publicou seis obras que se tornaram referência obrigatória para profissionais e estudantes em todos os cursos universitários, especialmente após a criação da Lei no 5.377.
Psicossociologia das Relações Públicas Entre suas obras, destaca-se o livro Psicossociologia das Relações Públicas (1978), seu terceiro livro lançado, que analisa o poder psicossocial e sua relevância na formação da opinião pública. A obra discute como esse poder se manifesta na definição de interesses públicos e na identificação dos interesses privados, envolvendo a relação entre diferentes públicos e as organizações dentro de um contexto social. Dividida em dez capítulos, a obra analisa as Relações Públicas sob uma perspectiva psicossociológica, abordando temas como: interesse público; comportamento coletivo; público e seu conceito; opinião do público e seu desenvolvimento; público em Relações Públicas; classificação de públicos; poder psicossocial das Relações Públicas e sua responsabilidade, e administração da controvérsia. Seu ponto central é a defesa do interesse público, entendido como resultado de uma ação dialogante que envolve a construção do público e da opinião pública. Nesse sentido, as Relações Públicas deixam de ser apenas intérpretes das políticas e diretrizes organizacionais modernas e passam a atuar como mediadoras das atitudes e opiniões dos públicos, visando promover maior integração social.
Obras (1988) - Como administrar reuniões. (1982) - Administração de relações públicas no governo. (1979) - Guia Brasileiro de Relações Públicas. (1978) - Dicionário profissional de relações públicas e comunicação e glossário de termos anglo-americanos. (1975) - Psicossociologia das relações públicas. (1970) - Curso de relações públicas: relações com os diferentes públicos. (1962) - Para entender relações públicas.
Referências