Mario Sabino

Sob Lula, os feminicídios bateram recorde pelo quarto ano seguido e o Brasil continua a ser líder em assassinatos de pessoas LGBT+

Mario Sabino

22/10/2026 12:15

Reprodução/Instagram
Angélica, mulher de Luciano Huck, declarou voto em Lula. No vídeo publicado nas redes sociais, ela justificou a escolha, dizendo ter pensado em “tudo o que a sociedade conquistou com tanta dificuldade e “especialmente” nas mulheres, crianças e pessoas LGBT+.
“Eu sempre fui a favor da alternância de poder. Não sou petista, não me vejo como de direita, nem de esquerda. Mas eu quero viver num país onde as pessoas se escutem, se respeitem, e cuidem uma das outras. Onde quem governa olhe para as pessoas com carinho, sem preconceito, sem debochar da dor, das lutas de ninguém”, disse Angélica.
De fato, é nauseabundo o acervo de declarações da família Bolsonaro, principalmente do patriarca Jair, em relação às chamadas minorias. Expressa preconceitos arraigados e uma reatividade destrambelhada ao wokismo da esquerda.
Não se deve permitir que um governante seja preconceituoso nas palavras, esse é um mau sinal para a sociedade, mas também não se pode admitir que, politicamente correto no discurso, ele permaneça negligente nas ações.
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Durante o mandato de Jair Bolsonaro, foram-lhe creditadas barbaridades que aconteciam no país. Certamente, ele tem a sua dose de culpas individuais, que não podem ser relativizadas — o seu comportamento na pandemia, por exemplo, foi grotesco. Mas isso não elimina o fato de que Jair Bolsonaro foi apenas mais um entre os governantes relapsos que o Brasil coleciona.
Desde o advento da Nova República, nenhum outro partido está há tanto tempo no poder como o PT. Só de Lula já são quase doze anos — e ele ainda poderá ter mais quatro pela frente.
Angélica acha que votar em Lula é garantir a permanência de um presidente que “olha para as pessoas com carinho”, mas a realidade é menos propaganda eleitoral fofinha do que a apresentadora imagina.
Para ficar nos assuntos que parecem preocupar mais Angélica, os feminicídios bateram recorde pelo quarto ano seguido no país. Foram 1.521 vítimas em 2025, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Quarenta e quatro por cento de todas as mulheres assassinadas nesse período morreram por causa de violência de gênero, o maior percentual desde 2015, quando o feminicídio passou a ser tipificado no Código Penal.
Em janeiro deste ano, noticiou-se que uma pessoa LGBT+ é assassinada a cada 34 horas no país. Houve queda de 12% no número de mortes de 2024 para 2025, de 291 para 257, mas o Brasil continua a ser o país a liderar o ranking macabro de assassinatos de pessoas LGBT +, segundo o Observatório do Grupo Gay da Bahia, a ONG que é referência em assuntos ligados a essa comunidade.
“Como explicar a queda de 12%? Não é por conta de políticas públicas, infelizmente. O governo atual fala muito e defende a população LGBT, há leis que assimilaram a homofobia ao racismo, mas não há políticas específicas para proteção da comunidade”, disse Luiz Mott, fundador da ONG, ao G1.
Segurança pública é assunto estadual, mas é claro que o governo federal sempre pôde cobrar medidas dos estados e imprimir políticas gerais para balizar os governadores.
Isso não foi feito sob Jair Bolsonaro nem sob Lula. A diferença é que a esquerda denunciou o primeiro, e fará o mesmo com Flávio, se ele for eleito, e não há cobrança quase nenhuma de Lula. Carinho não basta, Angélica.

