Belo Horizonte — Um advogado que aparece em mais de 2 mil processos em Minas Gerais e São Paulo é investigado por usar irregularmente registros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para exercer a profissão. As informações foram reveladas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) nesta terça-feira (22/9).O homem teve a situação descoberta depois que participou de um julgamento virtual do 3º Grupo de Câmaras Criminais do TJMG.Na sessão, ele pediu para fazer a própria defesa em um processo de revisão criminal relacionado a uma condenação por apropriação indevida de R$ 5.507,66 pertencentes a um cliente.O julgamento ocorreu em 15 de junho e chamou a atenção de um desembargador, que decidiu verificar a situação profissional de Antônio Carlos. A consulta mostrou que a inscrição dele na OAB de Minas Gerais estava cancelada.“O magistrado se lembrou de um dos seus ensinamentos a profissionais mais jovens, quando ainda atuava como advogado: o de evitar fazer sustentação oral e se expor, quando atuando em causa própria, em casos nos quais estivessem sendo acusados. Causou estranhamento o fato de o advogado não se sentir constrangido em se expor diante de 15 magistrados que, possivelmente, poderiam reencontrá-lo em outros casos nos quais atuasse como advogado”, diz o texto do TJMG. Leia também Minas GeraisJustiça de MG aumenta pena de advogado que mandou matar servidora do MP Minas GeraisTJMG busca famílias para acolher no Natal crianças na fila da adoção Minas GeraisTJMG promove mutirão de conciliação para resolver conflitos sem processo O advogado também tinha registro na OAB de São Paulo, mas a inscrição estava suspensa.Ao analisar outros processos, o magistrado identificou que ele s aparecia como advogado usando um terceiro número de registro. A numeração tinha apenas um dígito diferente da inscrição original dele em São Paulo e pertencia a outro profissional, cujo registro constava como inativo.Documentos da OAB-MG também mostraram que Antônio Carlos teve o registro cancelado após responder a cerca de 20 processos disciplinares, que resultaram em suspensões do exercício da profissão e multas.Depois das primeiras apurações feitas pelo magistrado, o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil. A prisão do advogado foi determinada em 28 de agosto e cumprida em 1º de setembro.Ele aparece como advogado em mais de 2 mil processos em tramitação em Minas Gerais e São Paulo. O espaço está aberto caso queira se manifestar.






