Matheus Leitão

Imagem da matéria: Renan Filho: Flávio Bolsonaro promete direitos, mas votou contra eles
Imagem da matéria: Renan Filho: Flávio Bolsonaro promete direitos, mas votou contra eles · Imagem: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Senador Renan Filho (MDB-AL) resgata voto de 2021 em que Flávio apoiou trabalho sem carteira, 13º e FGTS. Na TV, o discurso é outro

Renan Filho: Flávio Bolsonaro promete direitos, mas votou contra eles
Renan Filho: Flávio Bolsonaro promete direitos, mas votou contra eles · Imagem: Source: www.metropoles.com

Matheus Leitão

19/10/2026 08:30

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Na sexta-feira (16/10), diante das câmeras do Jornal Nacional, Flávio Bolsonaro (PL) foi categórico: “Todos os direitos trabalhistas estão garantidos. Todas as leis trabalhistas estão garantidas.” A frase soou firme. O problema é que, quando teve a caneta na mão, ele fez o contrário.

Foi isso que o senador Renan Filho (MDB-AL), ex-ministro dos Transportes, lembrou em vídeo publicado no Instagram. “Eu tava dando uma olhada aqui, olha como ele votou no Senado quando teve a chance de tratar do assunto”, diz.

O registro está nos arquivos do Congresso. Em 1º de setembro de 2021, Flávio votou SIM à Medida Provisória 1.045, a chamada minirreforma trabalhista. O texto criava formas de contratação em que o trabalhador poderia ficar sem carteira assinada, sem 13º salário, sem férias remuneradas e sem FGTS. Em vez de salário, uma bolsa de cerca de R$ 550. Para quem tivesse carteira, o depósito do Fundo de Garantia poderia cair de 8% para até 2%, e a multa na demissão seria cortada pela metade.

Os mais atingidos seriam justamente os que mais precisam de uma porta de entrada: jovens de 18 a 29 anos, pessoas acima de 55 anos sem emprego e famílias de baixa renda. “Aqueles que poderiam acessar o mercado de trabalho já desde o início, sem qualquer direito”, resume Renan Filho.

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A proposta só não virou lei porque a maioria do Senado disse não. Foram 47 votos contra e 27 a favor. Flávio estava entre os 27.

O discurso muda, o voto fica

A contradição ganhou outra camada no debate da Band, neste domingo (18). Questionado sobre a escala 6×1, que antes chamava de proposta eleitoreira e depois apoiou, Flávio explicou a virada: “Eu sou uma pessoa que, se for convencida, posso melhorar a minha opinião.”

Mudar de ideia não é crime. Mas quando a mudança chega sempre a poucos dias da urna, e sempre na direção do que o eleitor quer ouvir, fica difícil saber qual Flávio vai governar: o que discursa na TV ou o que vota no plenário.

Renan Filho põe o dedo exatamente aí. “Existe uma diferença grande, enorme, entre o que um político promete em tempo de campanha e o que ele vota na sua atividade parlamentar”, afirma. “O discurso pode mudar. Mas o voto fica registrado.”

E o de Flávio está aqui, para quem quiser conferir.