Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com cientistas franceses, descobriram como o parasita da malária utiliza a melatonina, conhecida como hormônio do sono, para regular seu desenvolvimento no organismo humano. A descoberta pode abrir caminho para novos medicamentos contra a doença.A pesquisa identificou uma proteína chamada MT-PfSR1, que permite ao Plasmodium falciparum, responsável pela forma mais grave da malária, reconhecer a melatonina e responder aos sinais do relógio biológico humano. Leia também SaúdeAnvisa aprova testes em humanos de vacina brasileira contra malária MundoMosquito levado em avião mata duas pessoas por malária em Frankfurt SaúdeEstudo mostra que parasita da malária adquiriu resistência a remédios SaúdeMãe e filha missionárias morrem após contraírem malária em viagem Como funciona o mecanismo?A melatonina é produzida principalmente durante a noite e ajuda a regular o ciclo de sono e vigília. Os cientistas descobriram que o parasita consegue identificar o hormônio e utilizá-lo para sincronizar seu desenvolvimento dentro dos glóbulos vermelhos.O Plasmodium falciparum se multiplica em ciclos de aproximadamente 48 horas. Ao final de cada ciclo, os glóbulos vermelhos se rompem, liberando novos parasitas na circulação sanguínea. O processo está relacionado aos episódios periódicos de febre característicos da malária. O mecanismo ocorre da seguinte maneira:Produção: o organismo libera melatonina, principalmente à noite.Reconhecimento: o parasita identifica o hormônio por meio da proteína MT-PfSR1.Resposta: a proteína recebe sinais relacionados ao relógio biológico humano.Desenvolvimento: os sinais ajudam a sincronizar o ciclo de multiplicação do parasita.O que é a malária?A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos ao ser humano pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido como mosquito-prego.Os sintomas incluem febre, fraqueza intensa, confusão mental, convulsões, dificuldade para respirar, queda de pressão, sangramentos e, nos casos mais graves, há risco de morte.No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a maior parte dos casos ocorre na região amazônica, que abrange estados como Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Roraima.O tratamento da doença é simples, eficaz e gratuito. No entanto, o diagnóstico e o início rápido do tratamento são essenciais para evitar complicações graves.Descoberta pode ajudar a criar medicamentosA investigação começou nos anos 2000, quando pesquisadores da USP observaram que a melatonina influenciava o desenvolvimento do parasita. Em 2008, foram identificados quatro possíveis receptores, dos quais dois foram analisados na pesquisa mais recente.Os experimentos confirmaram que a proteína MT-PfSR1 responde à melatonina. Os cientistas também testaram uma substância sintética chamada AR34, que ativou o receptor e inibiu o crescimento do parasita em laboratório, sem se ligar aos receptores humanos de melatonina.Os resultados indicam um novo caminho para o desenvolvimento de medicamentos contra a malária, especialmente diante da resistência do parasita aos tratamentos disponíveis.








