Onze minutos para a eternidade
O placar parecia banal. Mouloudia Club d'Alger contra MB Rouissat. Vitória 2-0 dos argelinos, limpa, sem falha. Mas esse quadro permanece incompleto se omitir o essencial.
O desfecho surge na 61ª. O treinador vira-se para o banco, faz um sinal breve. Mossi ergue-se. Ele não invade uma grama, ele invade um palco. Onze minutos bastaram a ele, apenas o tempo de um suspiro, para bater na 72ª. Golo.
O estado de graça
Este gesto não tem nada de anedótico. Nada mais o é para esta ícone.
3ª realização nesta Liga 1 Argelina, reputada por ser a mais dura do Magrebe. As redes tremem, as arquibancadas rugem. A Andorinha acabou de selar o desfecho do duelo.
Esta oferenda leva seu contador a três unidades em duas partidas consecutivas. Ele restava sobre um duplo retumbante plantado na cena continental da TotalEnergies CAF Champions League. Mossi e seus companheiros de equipe fazem os dias bonitos de seu clube.
O piscar de olhos do destino
E eis que o destino, divertido diretor, nos envia um sinal comovente.
Em onze dias exatamente. 29 de setembro de 2026. No caldeirão de Intwari. As Andorinhas enfrentarão os Fennecs. O Burundi cruzará o ferro com a Argélia.
Que coincidência vertiginosa! Que ironia somptuosa!
Conclusão: o príncipe retorna
Ele, que acalma cada semana os gramados além do Mediterrâneo, que decifra as artimanhas, a fúria e o gênio deles, erguer-se-á diante de seus anfitriões. Mas não sob a túnica do Mouloudia. Sob as cores do Burundi. O vermelho adornado de estrelas, o verde de nossas colinas.
Mossi Nduwumwe não joga apenas lá. Ele se afia para sua amada pátria.
Encontro no dia 29.
Patrick Sota


