Dinheiro e Negócios

Antônio Carlos Freixo, o Mineiro, dono do Grupo Entre
Antônio Carlos Freixo, o Mineiro, dono do Grupo Entre · Imagem: Divulgação

Dono da Entrepay, Antônio Carlos Freixo Júnior aparece como elo entre instituições do mercado financeiro, políticos e o crime organizado

"Mineiro": como delator do Master conecta PCC, Dark Horse e Vorcaro
"Mineiro": como delator do Master conecta PCC, Dark Horse e Vorcaro · Imagem: Source: www.metropoles.com

Gabriella Furquim

25/09/2026 16:46, atualizado 25/09/2026 16:48

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Antes um operador sem grande destaque na Faria Lima, Antônio Carlos Freixo Júnior tornou-se personagem central de investigações sobre a atuação criminosa de integrantes do mercado financeiro. Alvo de diversas apurações em curso e delator do caso Master, Mineiro, como é conhecido, é visto pelos investigadores como um dos principais elos entre instituições financeiras, políticos e o crime organizado.

Nas últimas semanas, Mineiro foi alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto, fez revelações, em uma delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sobre malas de dinheiro de Daniel Vorcaro e detalhou a relação do ex-banqueiro com o filme Dark Horse. Além disso, foi citado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ter supostamente ganhado R$ 176,4 milhões em prêmios de loterias e casas de apostas.

O turbilhão, no entanto, começou bem antes. Em janeiro, empresas de Mineiro foram alvo da segunda fase da operação Compliance Zero. O Grupo Entre, fundado pelo empresário, foi apontado pelos investigadores como um braço da engrenagem montada por Vorcaro para viabilizar pagamentos, bancarizar recursos e fazer repasses a interlocutores do ex-banqueiro.

Em março deste ano, o Banco Central (BC) liquidou extrajudicialmente o Grupo Entre, fundado por ele. Os motivos: grave deterioração financeira, falhas nos repasses a lojistas e suspeitas de envolvimento em fraudes ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master.

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A decisão do BC pôs fim à trajetória de superação que Mineiro repetia em palestras. Entusiasta da meritocracia, ele sempre contava aos interlocutores que pisou pela primeira vez na Faria Lima trabalhando como office-boy aos 14 anos.

Um mês após o Grupo Entre ter sido liquidado, outra empresa do conglomerado de Mineiro apareceu nas manchetes. Desta vez, foi a fintech Entrepay, que teria realizado repasses milionários para a produtora responsável pelo filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. O dinheiro, conforme investigações, saiu das mãos de Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.

Com o avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master, Mineiro fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (homologado pelo STF), no qual entregou e-mails, comprovantes bancários e detalhes de toda a engenharia financeira que operava para Vorcaro.

Além de falar sobre o elo entre Vorcaro e o filme Dark Horse, Mineiro afirmou na delação que, entre 2020 e 2025, movimentou cerca de R$ 1,3 bilhão em espécie a pedido direto de Vorcaro. Ele disse que organizava saques e realizava entregas físicas de dinheiro vivo em malas (com valores de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão por operação) enviadas a emissários do banqueiro.

Além da delação

A investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Receita Federal que embasou a operação deflagrada na última quinta-feira (24/9) apontou que a Entre Investimentos também prestou serviços de lavagem de capitais para os líderes da facção criminosa PCC no setor de combustíveis, conhecidos como Beto Louco e Primo”.

Documentos da terceira fase da Operação Carbono Oculto apontam que em dezembro de 2024 a Entre depositou R$ 20 milhões na conta de passagem da Usina Itajobi — aberta na Credihome SCD, fintech do próprio Grupo Entre –, valor repassado ao Fundo Radford para lastrear a compra da distribuidora Terrana via Banco Genial.

A usina e o fundo são apontados como estruturas intermediárias pertencentes à facção criminosas utilizadas em operações circulares para apagar a origem ilícita do dinheiro do PCC e permitir que os valores fossem utilizados pelo grupo sem chamar a atenção das autoridades.