A Maschalostachys markgrafii é uma espécie de planta com flores do gênero Maschalostachys, da família das Asteráceas, endêmica do Brasil.

Etimologia O epíteto desta espécie homenageia o botânico alemão Friedrich Markgraf (1897–1987), e foi concedido por G. M. Barroso, que em 1956 inicialmente classificou a espécie como Lychnophora markgrafii.

Filogenia As espécies deste grupo pertencem à subtribo Lychnophorinae, descrita dentro da tribo Vernonieae Cass. da subfamília Vernonioideae Lindl.. Essa classificação foi obtida recentemente por meio de análises de DNA das diversas espécies do grupo. De uma perspectiva filogenética, com base nas análises de DNA mais recentes, a tribo Vernonieae foi dividida em dois grandes clados: Novo Mundo e Velho Mundo. Os gêneros de Lychnophorinae pertencem ao clado relacionado à América. A subtribo, e consequentemente seus gêneros, distingue-se pelas seguintes características:

as inflorescências raramente são espiciformes (em forma de espiga). as inflorescências são geralmente grandes. as corolas são desprovidas de glândulas estipitadas. o pólen não é "lofado" (não apresenta cristas e depressões). nos aquênios, as ráfides subquadradas estão sempre presentes. Anteriormente, a tribo Vernonieae, e consequentemente a subtribo (Lychnophorinae) deste gênero, foi descrita dentro da subfamília Cichorioideae. Dentro da tribo, a subtribo Lychnophorinae ocupa, do ponto de vista filogenético, uma posição próxima ao “núcleo” (evoluiu tardiamente em relação às demais subtribos) e está próxima das subtribos Vernoninae e Chrestinae. As duas espécies deste gênero estão posicionadas bem distantes uma da outra na filogenia da subtribo: M. mellosilvae forma um grupo irmão com o gênero Anteremanthus H. Rob. em uma posição bastante central; enquanto a espécie M. markgrafii está mais próxima do núcleo da subtribo e forma um grupo irmão com o gênero Paralychnophora MacLeish. A espécie neste artigo foi anteriormente descrita no gênero Lychnophora Mart.. As características distintivas da espécie Maschalostachys markgrafii são:

o hábito é formado por pequenas árvores monopodiais com troncos não ramificados. as bainhas das folhas são semi-amplexicaules. o botão floral é composto por tricomas não ramificados em forma de T. as inflorescências agrupam-se em panículas sinfálicas rodeadas por brácteas secundárias subinvolucrais espatuladas. O número cromossômico das espécies deste gênero é: n = 19.

Distribuição e habitat A espécie foi encontrada apenas em campos rupestres associados ao Cerrado e à Caatinga, no estado de Minas Gerais, com distribuição restrita a Serra do Espinhaço. Sua ocorrência foi verificada nos municípios de Botumirim, Francisco Dumont, Grão Mogol, Joaquim Felício, Lassance, Montes Claros e Rio Pardo de Minas.

Descrição A espécie aqui listada é uma planta perene com porte pequeno e arbóreo. O caule é monopodial (as flores crescem lateralmente). A folhagem é pubescente, com pelos simples ou de vários tipos, incluindo pelos em forma de garrafa, em forma de T, torcidos, em forma de estrela ou pilosos. Os órgãos internos dessas plantas contêm lactonas sesquiterpênicas. As folhas ao longo do caule dispõem-se alternadamente ou em pseudorosetas no ápice dos caules. As folhas são sésseis ou pecioladas, com bainhas semi-amplexicaules. O formato é inteiro e geralmente lanceolado, mais ou menos estreito, com ápices agudos e base atenuada. As margens são geralmente inteiras e planas (não revolutas, às vezes onduladas ou crenuladas). As nervuras são pinadas ou dispostas sublongitudinalmente. As inflorescências axilares consistem predominantemente em capítulos florais fundidos numa sinflorescência (inflorescência secundária) e circundados por brácteas secundárias foliares. Os capítulos florais discóides, homogâmicos e sésseis, circundados por 1 a 6 brácteas subinvolucrais espatuladas, são compostos por um invólucro de várias brácteas imbricadas em 5 a 6 fileiras que protegem o receptáculo no qual as flores tubulares estão inseridas. As brácteas são marrons ou verdes; a superfície é tomentosa; as pontas são agudas ou obtusas e brevemente mucronadas. O receptáculo é faveolado. As flores, em número de 4 a 5 por capítulo, são tetracíclicas (ou seja, possuem 4 verticilos: cálice, corola, androceu e gineceu) e pentâmeras (cada verticilo geralmente possui 5 elementos). As flores também são hermafroditas e actinomorfas (raramente, podem ser zigomorfas).

Fórmula floral: */x K

{\displaystyle \infty }

, [C (5), A (5)], G 2 (ínfero), aquênio. Cálice: as sépalas do cálice são reduzidas a uma coroa de escamas. Corola: as corolas são formadas por um tubo que termina em 5 lóbulos profundos; a cor varia do lilás ao roxo escuro; a superfície pode ser pubescente e glabra. Androceu: os estames são cinco, com filamentos livres e distintos, enquanto as anteras são fundidas em uma bainha (ou tubo) que envolve o estilete. As anteras, sagitadas e desprovidas de glândulas, podem ou não ser caudadas; os apêndices apicais são geralmente glabros, endurecidos e lanceolados. O pólen é tricolporado (com três aberturas, em forma de fenda, isodiamétricas ou em forma de poro), equinado (com espigas) e não "lofado". Gineceu: o estilete é filiforme e isento de nódulos. Possui dois estigmas divergentes, com a superfície estigmática posicionada internamente (próxima à base). A pubescência é semelhante a uma escova, com pelos pontiagudos. O ovário é unilocular e constituído por dois carpelos. Os frutos são aquênios com um papus. Os aquênios, de formato cilíndrico a obcônico, possuem 10 costelas com superfície glabra, sedosa ou glandular. Internamente, podem ser encontrados tecido semelhante a idioblastos e ráfides subquadradas; tecido semelhante à fitomelanina é raramente encontrado. O carpopodium (carpóforo) tem formato anelar e é discreto. O papus, biseriado, decíduo ou caduco, é composto por cerdas com ápice agudo e erodido e base espessada; a fileira externa é menor que a interna.

Biologia Polinização: a polinização ocorre por meio de insetos (polinização entomógama por borboletas diurnas e mariposas). Reprodução: a fertilização ocorre principalmente através da polinização das flores (ver acima). Dispersão: as sementes (os aquênios) que caem no solo são posteriormente dispersas principalmente por insetos como as formigas (disseminação mirmecocoria). Outro tipo de dispersão também ocorre nesse tipo de planta: a zoocoria. Na verdade, os ganchos das brácteas do invólucro prendem-se aos pelos dos animais que passam, dispersando assim as sementes da planta mesmo em longas distâncias.

Desafios A espécie está ameaçada pelos impactos de atividades antrópicas, como mineração a céu aberto, extração de madeira, introdução de espécies invasoras (como o capim Melinis minutiflora) e silvicultura, levando à fragmentação de habitats.

Ver também Lista de gêneros de Asteraceae

Referências

Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em italiano cujo título é «Maschalostachys», especificamente desta versão.

Bibliografia

Ligações externas «Maschalostachys markgrafii (G.M. Barroso) Loeuille & Roque». Reflora