Mario Sabino

O episódio deixa claro que é proibido falar verdades sobre Lula, mas é permitido dizer mentiras sobre adversários do chefão petista

Mario Sabino
28/09/2026 10:39
Marcelo Camargo / Agência Brasil
Lula e os seus apaniguados nas redes sociais e na imprensa atingiram o grau máximo de abjeção com a mentira de que Flávio Bolsonaro pretende, se eleito, retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
Mais grave ainda é o fato de Flávio Dino ter dado permissão a que a vileza seguisse o seu curso, revertendo a decisão de André Mendonça de retirá-la do ar, em resposta a um pedido legítimo da campanha do adversário do chefão petista.
O dado que seria cômico, não fosse trágico, é que a ordem, em suposta defesa da liberdade de expressão, foi emanada de um ministro que processou um youtuber que o chamou de “gordola” e que persegue um jornalista do seu Maranhão natal por ele ter denunciado Dino pelo irregular de carros oficiais — jornalista que teve o seu sigilo de fonte quebrado por Alexandre de Moraes.
O eterno ministro da Justiça de Lula usurpou, assim, a competência do TSE, que vem sendo continuamente desautorizado pelos políticos do STF, mostrou que está disposto a tudo e muito mais para reeleger o chefão petista e reforçou a convicção geral de que o STF virou um tribunal de fancaria.
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Pode-se afirmar a respeito da ética de Dino, o comunista de Lula, o que escreveu o dramaturgo alemão Bertolt Brecht, na peça A Medida:
“Quem luta pelo comunismo tem de poder lutar e não lutar; dizer a verdade e não dizer a verdade; prestar serviços e negar serviços; manter a palavra e não cumprir a palavra; enfrentar o perigo e evitar o perigo; identificar-se e não identificar-se. Quem luta pelo comunismo tem de todas as virtudes apenas uma: a de lutar pelo comunismo.”
Nesta nossa democracia insalubre, o episódio deixa mais uma vez claro que, por obra e falta de graça do Supremo, é proibido falar verdades sobre Lula, mas é permitido dizer mentiras a respeito de qualquer que seja o seu adversário.
É também franqueado ao chefão petista comprar os votos dos mais pobres com dinheiro público, bem como dar canetadas que implicam fechamento de negócios legais e perda de receita fiscal, sem que haja qualquer estudo de impacto e algum cuidado com segurança jurídica, desde que o ato autoritário aponte eventual ganho eleitoral.
Está mais evidente, ainda, como se preciso fossem provas adicionais, que o STF virou um balcão destinado a servir amigos que escolhem o ministro mais adequado para a vitória das suas ações e no qual integrantes seus proferem decisões monocráticas sobre assuntos que bem entendem, bastando para isso usar processos até mesmo arquivados que possam guardar semelhança remota com o tema em que resolveram intrometer-se.
Flávio Bolsonaro nunca disse que retiraria o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida; Lula e o STF usaram dessa mentira para chutar a santa para o meio do picadeiro, porque o chefão petista vinha perdendo apoio entre os católicos. Mas Deus não perdoa a falsidade, como mostram as pesquisas que continuam a dar Lula e Flávio em empate técnico.
