Já pensou em conhecer a Itália? Então prepare-se, porque a experiência vai muito além de visitar Roma, Veneza, Florença ou as paisagens da Toscana. O país também pode ser descoberto à mesa, e o vinho é uma das maneiras mais interessantes de entender as diferenças entre suas regiões.Foi essa percepção que tive ao conhecer de perto a diversidade dos vinhos italianos durante uma experiência que reuniu produtores e profissionais do setor. Mais do que provar diferentes bebidas, a ocasião mostrou como cada território italiano tem uma identidade própria e como o vinho pode funcionar como um verdadeiro convite para viajar pelo país.“São vinhos provenientes de praticamente todas as regiões da Itália. Tem vinho de montanha, de planície, das ilhas. Cada pedacinho da Itália possui um microclima diferente. São cultivadas uvas diferentes”, explica Ronaldo Padovani, analista de negócios da ITA (Italian Trade Agency).A Itália reúne 20 regiões produtoras, com uma enorme variedade de paisagens e características. Do norte montanhoso ao sul mediterrâneo, passando pelas colinas e áreas de influência vulcânica, cada território construiu ao longo do tempo sua própria relação com o vinho.É justamente essa diversidade que faz com que falar em “vinho italiano” seja muito diferente de falar de um único estilo. Há regiões mais conhecidas internacionalmente, como Toscana, Piemonte e Vêneto, mas também territórios que podem despertar a curiosidade de quem deseja sair dos roteiros tradicionais, como Abruzzo, Marche, Puglia, Sicília e Sardenha.O vinho, nesse sentido, pode ser uma espécie de mapa gastronômico da Itália. Ao experimentar algo típico de uma região, o viajante também pode começar a se interessar pela paisagem, pela culinária e pela história daquele lugar.A diversidade italiana também ajuda a explicar o espaço que os vinhos do país vêm conquistando entre os consumidores brasileiros. Segundo Ronaldo Padovani, um dos fatores por trás desse movimento é justamente a procura por novidades.O mercado brasileiro vem ampliando a presença dos vinhos italianos. Dados oficiais reunidos pela Agência ICE mostram que, entre janeiro e agosto de 2026, o valor das exportações de vinhos italianos para o Brasil passou de US$ 27,9 milhões para US$ 31,7 milhões, uma alta de 13,6%. Em volume, o crescimento foi de 7,6%, chegando a 7 milhões de litros.Mas números de mercado contam apenas uma parte dessa história. Por trás deles está um consumidor que começa a olhar para além dos rótulos mais conhecidos e encontra, dentro da própria Itália, uma quantidade enorme de possibilidades.A quinta edição do I Love Italian Wines, por exemplo, reuniu cerca de 60 empresas entre vinícolas italianas e importadores brasileiros, com aproximadamente 600 rótulos de diferentes regiões. A iniciativa tem justamente o objetivo de aproximar essa diversidade do mercado brasileiro.Marcelo Copello é jornalista e um dos principais críticos e curadores de vinhos do país. Ele foi eleito duas vezes “Jornalista de vinhos mais influente do Brasil” pela revista alemã Meininger’s Wine Business International. Para ele, a Itália se destaca no mercado por diversos fatores. “É o maior produtor do mundo de diversidade de estilo e qualidade. A identidade, a cultura e a qualidade chegam ao máximo”.A Toscana não é apenas um lugar onde se produz vinho. É uma paisagem de colinas, pequenas cidades e propriedades rurais. O Piemonte traz outra experiência, cercado pelas montanhas do norte. No sul, regiões como Puglia e Campânia apresentam uma Itália de clima e paisagens diferentes. Nas ilhas, como Sicília e Sardenha, a relação com o Mediterrâneo também aparece na gastronomia e na produção local.Quem viaja em família sabe que algumas das melhores lembranças não necessariamente acontecem diante de um monumento famoso. Podem surgir durante um almoço demorado, em uma feira, em uma pequena cidade ou ao experimentar pela primeira vez um prato típico. A gastronomia tem esse poder de aproximar o viajante da cultura local.Na Itália, vinho e comida fazem parte dessa experiência. E não é preciso ser especialista para perceber que há algo diferente quando os sabores mudam de uma região para outra. Conhecer essa diversidade pode inclusive inspirar novos roteiros.Em vez de escolher apenas uma cidade famosa, o viajante pode começar a olhar para determinada região porque se interessou por sua gastronomia, por seus vinhos ou pela paisagem onde eles são produzidos. É uma maneira diferente de planejar uma viagem: começar pela mesa e terminar descobrindo um novo destino.E talvez essa seja uma das maneiras mais saborosas de começar a conhecer uma Itália diferente: não apenas olhando para o mapa, mas entendendo o que cada território coloca sobre a mesa. Porque viajar também é experimentar. E, algumas vezes, a viagem começa justamente com uma taça.Quer acompanhar outros destinos, roteiros e dicas para viajar em família?Siga o @comcria no Instagram. 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