Belo Horizonte – A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes, teve a licença médica prorrogada por mais 30 dias, a partir de 7 de setembro. A informação foi confirmada pela corporação nesta terça-feira (15/9) e publicada no Diário Oficial do estado.“A PCMG ressalta que a concessão e a prorrogação de licenças para tratamento de saúde de servidores ocorrem regularmente, mediante avaliação médica competente e observados os procedimentos administrativos e a legislação aplicável”, informou a Polícia Civil.Em 20 de agosto, a delegada foi transferida de setor. Ela atuava na Casa da Mulher Mineira e acabou sendo realocada na Diretoria de Administração e Pagamento de Pessoal (SPGF), onde passará a exercer funções administrativas. Leia também Minas GeraisViúva de gari morto em BH lança candidatura a deputada federal por MG Minas GeraisUm ano após morte de gari em BH, defesa de Renê apresenta nova versão Minas GeraisDelegada casada com homem que matou gari em BH tem 7ª licença médica Segundo a Polícia Civil, a mudança está relacionada à situação funcional da servidora e seguiu os critérios e procedimentos previstos na legislação.Ana Paula teve a primeira licença médica, de 60 dias, iniciada em agosto de 2025 para tratamento de saúde. Em outubro, após passar por nova perícia, recebeu outro afastamento pelo mesmo período. O procedimento se repetiu nos meses seguintes, até a última atualização, nesta terça.O que prevê a legislaçãoEm junho, o Metrópoles ouviu o procurador da Câmara Municipal de Belo Horizonte e especialista em Direito Administrativo, Constitucional e Tributário Caio Mário Lana Cavalcanti sobre o afastamento prolongado da delegada.Segundo o especialista, períodos extensos de licença médica não são necessariamente irregulares, desde que sejam cumpridas as exigências previstas na legislação e haja acompanhamento da administração pública.A Lei Orgânica da PCMG determina que o policial civil que tenha acumulado três meses de licença, contínuos ou não, nos 12 meses anteriores ao pedido de um novo afastamento, seja submetido a uma verificação de invalidez.A avaliação, no entanto, não significa necessariamente que o servidor será aposentado. Caso seja constatada incapacidade permanente para o exercício das funções, a administração poderá analisar a possibilidade de aposentadoria por invalidez.Relembre o casoLaudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros em 11 de agosto de 2025, enquanto trabalhava na coleta de lixo em Belo Horizonte.Segundo as investigações, o empresário René, marido de Ana Paula, teria se irritado porque o caminhão de lixo impedia a passagem de seu carro. Após uma discussão com a motorista, ele teria descido armado, ameaçado uma trabalhadora e atirado contra Laudemir.O gari foi socorrido, mas morreu. René foi preso horas depois e posteriormente se tornou réu pelo crime.Ana Paula chegou a ser indiciada por prevaricação e por permitir o uso de sua arma no crime que matou Laudemir. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), porém, não apresentou denúncia contra ela e propôs um acordo de não persecução penal.O MPMG também pediu que a Justiça avaliasse o pagamento de uma indenização de pelo menos R$ 150 mil à família do gari. A Polícia Civil informou anteriormente que um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) envolvendo a delegada seguia em tramitação na Corregedoria-Geral da corporação.







