O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem em sua agenda, nesta sexta-feira (25/9), uma cartada que pode lhe garantir dividendos a 9 dias do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Está previsto para as 17h, em São Paulo, o anúncio da Medida Provisória (MP) para endurecer as regras sobre o funcionamento das casas de aposta on-line no país, as chamadas bets.A decisão ocorre em meio a um forte acirramento do discurso do governo contra o impacto do endividamento das famílias e os problemas de saúde pública gerados pelas bets, o que o presidente tem evidenciado em sua campanha.Mas o que a MP das Bets vai propor? Fontes do governo revelaram ao Metrópoles que entre as propostas avaliadas pelas equipes econômica e jurídica – e que deverão ser a espinha dorsal da MP – estão:Restrição ou proibição de cassinos virtuais: O governo debate o cerco severo a modalidades de jogos de azar eletrônicos populares, a exemplo do chamado “jogo do tigrinho”, frequentemente apontados como a principal causa do alto endividamento familiar.Revisão das apostas esportivas: Há discussões sobre o alcance do veto, variando entre a manutenção controlada de apostas em eventos esportivos reais e a interrupção ampla das atividades das plataformas no mercado nacional.Controle rigoroso de publicidade: O pacote prevê travas adicionais e o banimento de propagandas de apostas em meios de comunicação de massa, além de restrições severas à atuação de influenciadores digitais na promoção dos serviços.Impactos e medidas de transição: Clubes de futebol profissional manifestaram forte preocupação com o corte repentino de receitas de patrocínio, o que levou o governo a analisar linhas de crédito subsidiadas ou alternativas de transição econômica para os clubes afetados.Possibilidade de ressarcimento: Especialistas e técnicos também debatem na proposta mecanismos jurídicos voltados ao suporte de consumidores afetados e eventuais regras de compensação ou ressarcimento ligadas ao histórico de perdas financeiras dos apostadores.“Não é guerra, é decisão”A escolha do timing eleitoral gerou forte repercussão nos bastidores em Brasília e entre os setores afetados, uma vez que a medida mexe diretamente com interesses econômicos bilionários e patrocínios esportivos tradicionais.Enquanto aliados avaliam a medida como uma resposta firme e popular em defesa da economia das famílias na reta final da campanha, críticos e representantes do mercado e dos clubes de futebol apontam que a restrição drástica exigirá intensos debates de transição no Congresso Nacional. Leia também Igor GadelhaBets apostam em brecha para judicializar MP do governo Lula Ramiro BritesContra Flávio, Lula aposta em combate a bets e foca em mulheres evangélicas Milena TeixeiraLula pode fazer anúncio das bets na Paulista; veja bastidor BrasilLula vai assinar MP com restrições a bets nesta sexta (25/9), em SP Mas Lula está resoluto. “Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets. Os times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro”, declarou o presidente.O petista aposta no apoio popular. Levantamento divulgado nessa quarta-feira (23/9) pela Atlas/Bloomberg indica que 75% da população defende a proibição das bets no Brasil. O índice mostra alta em relação ao mês de abril, período em que 73% apoiavam o veto.Novos crimes e penasParalelamente à MP, o governo Lula prepara projetos de lei relacionados ao tema para enviar ao Congresso Nacional, segundo antecipou o Metrópoles, na coluna do Igor Gadelha. Segundo dois ministros do governo envolvidos no debate, devem ser apresnetados ao Congresso projetos para endurecer penas e criar tipificações de crimes para quem promover jogos ilegais.A previsão no governo é de que as propostas sejam oficializadas nos próximos dias. A MP terá efeito imediato, mas com validade de até 120 dias. Caso não seja votada pelo Congresso até lá, perde a validade.Contra-ataqueCom a concretização de restrições para o funcionamento das bets no Brasil, entidades do setor já se preparam para contra-atacar via Congresso Nacional. As empresas de bets planejam tentar reduzir os danos por meio da apresentação de emendas ao texto do governo por parlamentares aliados ao setor.Nos bastidores, a avaliação das entidades que representam as bets é de que, por meio das emendas à MP, será possível conter o ímpeto do governo Lula contra o setor.As bets apostam ainda que, caso Lula seja reeleito em outubro, a tendência seria o Palácio do Planalto tirar o pé do acelerador contra o segmento e discutir regras menos rígidas.A leitura é de que, em eventual quarto mandato de Lula, não faria sentido o petista abrir mão da arrecadação que o setor trouxe e jogar os apostadores nas mãos de casas de apostas ilegais.








