A Operação Eredità, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (17/9), e que mira uma estrutura criminosa ligada à máfia italiana suspeita de enviar cocaína do Brasil para a Europa, teve como um dos alvos de prisão um advogado apontado como responsável pela comunicação e movimentação financeira do esquema em terrritório brasileiro.Segundo o delegado da PF Eduardo Verza o advogado alvo de um dos sete mandados de prisão preventiva atuava transmitindo recados utilizando “inclusive prerrogativas de advocacia” entre a máfia italiana e os criminosos brasileiros. Leia também São PauloNunes quer afastar sócios de empresa de ônibus suspeita de elo com PCC São PauloSP: PCC controla 12 das 22 empresas de ônibus na capital, diz investigação Demétrio VecchioliImpério de Milton Leite inclui mandatos, escola de samba e futebol São PauloPCC queria usar entidade para crianças atípicas em esquema criminoso Posteriormente, o advogado passou a ter um novo papel na estrutura criminosa, atuando diretamente no repasse da cocaína para o exterior e na movimentação financeira da prática dos crimes. O homem também é suspeito, segundo a investigação da PF, de repassar recados de dois dos mafiosos que foram presos no âmbito da Operação Retis, deflagrada em 2022.A Operação Eredità, deflagrada nesta quinta, cumpre sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, São Caetano, Santos e Americana, além de Palhoça, em Santa Catarina.A investigação atual é desdobramento de outras realizadas entre 2024 e 2025.Familiares assumiram negócios da máfiaA investigação da PF apontou que familiares de integrantes da máfia italiana e antigos associados presos no Brasil teriam assumido os negócios e mantido a estrutura de tráfico internacional. O grupo continuou usando fornecedores, operadores financeiros e rotas estabelecidas antes, principalmente pelo Porto de Paranaguá, no Paraná.Pelo menos 11 apreensões realizadas por policiais federais entre 2019 e 2020, que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína, estavam relacionadas à estrutura criminosa. Os carregamentos tinham como destino a Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal.Estrutura financeiraAlém do tráfico, a PF apontou a existência de uma estrutura financeira criada para movimentar e esconder os lucros obtidos na Europa, através de empresas de fachada, imóveis, operadores financeiros e sistemas clandestinos de transferência e compensação internacional.As investigações também identificaram o uso de plataformas criptografadas e mecanismos de contrainteligência. O cruzamento de mensagens, registros financeiros, imagens de carregamentos e informações sobre contêineres permitiu reconstruir parte da atuação do grupo.

Advogado brasileiro fazia movimentação financeira de máfia italiana, diz PF
Advogado brasileiro fazia movimentação financeira de máfia italiana, diz PF · Imagem: Divulgação/Polícia Federal
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